sobre o experimento
Onde a internet mora
A internet não tem endereço — tem endereços. Este experimento pergunta onde, fisicamente, trabalham os servidores que fazem os nomes da internet funcionarem, e responde com o dado bruto em vez da metáfora.
- 2.774nós no grafo
- 7.789arestas
- 1.388endereços IP
- 54países
- 208redes (ASN)
- 165pontos de presença
O método, em uma frase
De um notebook no Brasil, um script faz 1.483 consultas DNS a 750 zonas e domínios reais — começando pela raiz, passando pelos TLDs, até nameservers autoritativos e resolvedores públicos — sempre com a mesma pergunta: quem responde por este nome? Para cada endereço devolvido, descobre-se o país, a cidade e a rede (ASN) que o anuncia. O resultado é costurado num grafo tipado, não numa tabela.
Por que grafo, e não planilha
A escolha é conceitual antes de ser estética. Uma planilha guarda respostas para perguntas que já se sabia formular; um grafo guarda relações — e relações admitem perguntas que ninguém tinha feito: qual caminho liga um endereço IP à zona raiz? Quantos nameservers de um domínio nacional respondem fora do próprio país? Que cidades concentram a infraestrutura de nomes?
A hierarquia, de cima para baixo
Nove camadas no eixo vertical: zona raiz → servidores raiz → TLDs → domínios e serviços → nameservers e resolvedores → endereços IP → redes (ASN) e pontos de presença → países → continentes. No plano de baixo, a Terra, na mesma projeção dos dados (equiretangular), para que cada ponto de presença caia exatamente sobre o próprio lugar no mapa.
O que o retrato mostra
A infraestrutura de nomes é global em alcance e concentrada por natureza: 54 países aparecem, mas Estados Unidos reúne 33% dos endereços observados. Raízes, resolvedores públicos e grandes CDNs são anycast — o mesmo endereço responde em dezenas de lugares ao mesmo tempo, e a geolocalização devolve o ponto que respondeu, não a sede da organização. Ler o mapa é ler uma distribuição, não um organograma.
De onde vem a base
Teoria dos grafos para o modelo; a hierarquia de delegação do DNS (RFC 1034/1035) como esqueleto; anycast (RFC 4786) para explicar endereços que existem em vários lugares simultaneamente; curvas de concentração para medir desigualdade entre redes; e uma ideia mais antiga que a web: a forma do armazenamento determina quais perguntas se consegue fazer. A coleta usa só serviços públicos e sem chave — DNS-over-HTTPS e uma API aberta de geolocalização por IP.
Para que serve
Para ensinar rede com o dado na mão; para jornalismo de dados e investigação que precise localizar infraestrutura declarada; para discutir soberania digital com evidência — quantos países hospedam os nameservers do próprio domínio nacional? —; e para visualização: 2.774 nós em três dimensões dizem mais sobre concentração do que 2.774 linhas de tabela.
Cuidados de leitura
É uma amostra por sementes, não um censo: descreve o espaço de nomes, não a topologia física dos cabos. A geolocalização por IP é uma estimativa declarada pelo provedor, e endereços anycast a tornam ambígua por construção. Coleta de 2026, com os artefatos versionados no repositório para quem quiser refazer o caminho.